N??o compre chocolate nesta P??scoa

Reeditando (com pequenas alterações) post de 2010, com uma diferença: por conta da minha esofagite que insiste em continuar comigo, eu parei com chocolates, e também café, amendoim, sorvete e doces em geral. Além das frituras, gorduras, goiaba, abacaxi, e frutas cítricas que eu já tinha parado quando fiz a cirurgia de hérnia de hiato. Agora eu como muitos morangos! Mas continuo recomendando a todos o chocolate como melhor alimento. E chocolate branco não é chocolate, é manteiga de cacau!

Não é de hoje que eu tenho achado exagerado o comércio de ovos de chocolate na Páscoa. Mas como eu adorava chocolate e acho o ovo lacta ao leite o melhor chocolate que eu me dispunha a pagar, fui relevando. Mas ano passado me revoltei. 

A gota d´água foi esta campanha da prefeitura (em 2011): Páscoa solidária, Faça esta páscoa inesquecível para quem mais precisa. A campanha também acontece neste ano – aqui: http://www.ipcc.org.br/conteudo.aspx?idf=132

Não discordo que estas crianças (80.000 das comunidades mais necessitadas atendidas pela FAS e IPCC – em 2011 eram 70.000) precisam de ajuda. Mas conheço muita gente que foi pobre, que nunca viu ovo de páscoa na sua casa na infância, e concorda comigo. Por que estas crianças precisam do ovo de chocolate? Por que o marketing do comércio faz elas precisarem. As crianças vêem tanto isso na mídia que ficam com vontade, e provavelmente não terão em casa (mas sua mãe, ou seu pai – se não for ausente, não deixa de fumar um cigarrinho!).

Mas o que estas crianças realmente precisam? Família!

Tudo bem, não custa, para quem tem, dar um pouco. Sim, não custa. Mas se o dia das crianças, o dia das mães, o dia dos pais, e outros menos votados, trazem alguma mensagem que reforça a mensagem da necessidade da família, e me faz ajudar, o chocolate na páscoa não traz mensagem alguma. Há muito tempo deixou de trazer. 

Vale lembrar que a Páscoa é uma festa com origem na festa judaica que comemora a “passagem” (daí o nome) da escravidão no Egito para a  liberdade após a fuga, e também é o dia santo mais importante dos católicos/cristãos, pois considera-se pelos evangelhos que a última ceia, prisão, crucificação e ressurreição de Cristo ocorreu na semana daquela festividade judaica. Já o ovo, seja o ovo cozido pintado ou o ovo de chocolate, é uma tradição pagã, uma outra festa de outros povos, que, ao que tudo indica, foi absorvida nas festas judaico-cristãs. (Leia mais na wikipedia)

E, no caso, veio para o Brasil com o pacote completo. No entanto, a parte cristã está cada vez mais esquecida, aumentando a “tradição” da parte chocolate. No entanto, o que esta “tradição” nos ensina? Presentear os entes queridos e amigos. Um dia já foi. Hoje não creio. Compra-se mais para os filhos e para consumo próprio.

Posso estar errado. Mas ano passado não comprei ovo de chocolate, e não vou comprar agora. Algumas semanas atrás li notícia de que os ovos ficarão até 9% mais caros, por conta do índice da inflação – IPCA, que teve aumento em 2011 de 6,5% (os produtores dizem que é por que os custos aumentaram). Além do que paga-se 34% de impostos nos ovos de páscoa. Mesmo assim, a produção deve aumentar em 20% em relação a 2011. Dados da Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados) indicam que o consumo per capita de chocolate aumentou de 1,65 kg para 2,2 kg nos últimos dois anos. Sem contar o preço dos ovos, que são, inexplicavelmente, muito maiores do que os dos chocolates em barras (no mínimo 6 vezes maior!). E as camuflagens e invenções que os fabricantes colocam nos ovos – só não vi ainda ovo tocar música, deve ter, alguém já viu?

E nem a páscoa precisa de tanto chocolate. Ao invés da campanha como foi feita, a prefeitura poderia levar as crianças às igrejas e sinagogas, e os fiéis judaico-cristãos darem ovos de chocolate para as crianças após o culto.

Não passei pelo argumento de que os ovos de chocolate geram tantos empregos diretos e indiretos, por que eu penso que há tantas outras coisas para serem produzidas – e não são, além de chocolate para a páscoa. Ano que vem tem mais.

Bom feriado de Tiradentes.

 

Títulos públicos

Os títulos públicos estão sendo mais um problema do que uma solução para muitos países. Países estes que contraem dívidas de longo prazo, vendendo seus títulos, numa quantidade maior do que sua capacidade de pagamento. E quanto menor a capacidade de pagamento do país, maior será a taxa de juros que os financiadores (ou especuladores?) irão cobrar. Mas poderiam os países viverem sem emissão de títulos públicos, ou, pelo menos, numa quantidade menor?

A maior parte dos grandes investimentos de um país são feitos pelo governo ou com dinheiro emprestado do governo (a juros mais baixos do que o mercado e prazos muito longos). Logo, nenhum país sobrevive sem empréstimos. Ou, melhor seria dizer, nenhum país cresce, e se desenvolve, sem empréstimos. É só olhar as cores neste [[mapa mundial da dívida|http://www.economist.com/content/global_debt_clock]] – os que menos devem são os mais pobres (África em peso).
“A questão” são duas: quanto o governo paga pelo dinheiro (não é esse o problema do Brasil hoje?) e o que o governo faz com o dinheiro (não foi esse o problema da Grécia e outros países mais pobres que entraram no Euro?). Vamos a algumas soluções novas, ou nem tanto.
No caso de países que tem que manter juros altos, não poderia o governo simplesmente emitir moeda própria (carimbada) para despesas com novos investimentos. Por exemplo, o Brasil emitiria notas de real “Belo Monte”, para financiar esta usina (caso seja aprovada). E quando essas notas retornassem para o caixa do governo, seriam destruídas – pode isto? O dinheiro serviu para pagar o investimento, circulou na economia, mas no médio prazo (5 anos?) não aumentou a moeda circulante, pois saiu de circulação, e sem pagar um centavo de juros. Acho que o Thomas Edison (com apoio do Henry Ford) deu essa ideia para o governo americano logo após a primeira guerra (li em algum lugar, vou procurar).
No caso do governo emprestar dinheiro, este dinheiro poderia ficar restrito a investimentos. Ou seja, não poderia pagar a sua administração.

Não melhora a situação de muitos países?

E o semestre letivo iniciou…

O meu semestre letivo iniciou muito bem. Professor motivado, alunos muitos motivados. Salas não muito quentes, com cortinas. As duas salas com projetor instalado e funcionando (uma no bloco das ciências da terra e outra na eng. elétrica). Tá certo ambas estavam fechadas, mas nada que uma busca de alguns minutos não resolveu. As salas no Moodle só foram criadas hoje, mas por falta de planejamento meu. A agenda ainda está bagunçada – as reuniões dos projetos ainda não iniciaram. Ainda há muitas pendências de 2011, e quem não as tem? mas em março ainda tudo estará resolvido. O ar condicionado ainda não está instalado no GRUPOTIC. E as corridas vão bem, sábado foi a primeira, corrida noturna da unimed.

Bom semestre letivo a todos alunos e professores!