Curitiba. Viaduto estaiado? Vai pra ponte que partiu…

De Alexandre Costa Nascimento (@irevirdebike) publicado pelo jornal Gazeta do Povo, de Curitiba

Curitiba ganhará um novo cartão postal: um viaduto estaiado! Os benefícios são incontáveis: a população poderá tirar fotos da nova atração, poderá passar pelo viaduto de carro e, ainda por cima, postar no Facebook, com orgulho, que a cidade finalmente está no mesmo patamar de desenvolvimento de São Paulo, Brasília e Manaus.
Particularmente, entretanto, não acredito que a capital paranaense careça de cartões postais. Já temos vários. Tantos que, por não dar conta de todos, a Prefeitura está repassando alguns para o controle da iniciativa privada, como a Pedreira Paulo Leminski, a Ópera de Arame e o Parque Náutico do Iguaçu.
Voltando à ponte: há poucos dias, o prefeito Luciano Ducci (PSB) autorizou a construção do viaduto estaiado na Avenida Comendador Franco (das Torres). A previsão inicial é que a “obra de arte a céu aberto” custará R$ 84,5 milhões, oriundos das burras públicas, o que equivale ao gasto de aproximadamente R$ 50 por habitante na obra.
Qualquer municipalidade minimamente democrática consultaria todos os seus cidadãos antes de tungar R$ 50 do bolso de cada um deles. Consultas públicas ou mesmo plebiscitos são experiências interessantes para ensinar a população a participar de decisões importantes sobre o futuro da cidade que, no fim das contas, pertence a todos – ainda que partes dela estejam em vias de ser privatizadas.
Mas, certamente, os defensores do viaduto teriam poucos argumentos para defender a obra em um ambiente aberto de debates. Ainda que a beleza paisagística seja evocada (o que também é questionável), a ponte não será tão bonita assim a ponto de justificar o custo equivalente a 20 viadutos comuns.
Na prática, pagaremos por um “Minhocão” suspenso por cabos de aços que, muito provavelmente, até mesmo Paulo Maluf teria pudores de propor hoje em dia.
Além disso, não é preciso ser nenhum gênio da engenharia de trânsito para reconhecer que investimentos em transporte público coletivo e ciclovias geram um efeito sistêmico muito mais positivo para o trânsito do que obras viárias para a circulação de carros – que tendem a saturar em um curtíssimo espaço de tempo.
No artigo “Os Dividendos da Bicicleta!, publicado recentemente no jornal The New York Times, a professora de economia da Universidade de Massachusetts Nancy Folbre comemora o fato dos investimentos em infraestrutura para ciclistas ter dobrado nos Estados Unidos entre 2006 e 2010, atingindo a média de US$ 4 (cerca de R$ 8) por cidadão. Mas ela acredita que ainda é pouco.
Apenas para efeito de comparação, em 2011, o investimento de recursos do orçamento municipal de Curitiba na melhoria da rede cicloviária da cidade foi de apenas R$ 174,4 mil, o que equivale ao investimento de US$ 0,05 (R$ 0,10) por habitante, ritmo equivalente ao aplicado nos EUA no ano na penúltima década do século passado.
Para que a capital paranaense atinja o mesmo nível de investimento das cidades norte-americanas, seria um incremento de 8.000% no atual ritmo de investimentos. Mas esse abismo não se justifica pela escassez de recursos, já que sobra dinheiro para construção de obras faraônicas.
Segundo a Prefeitura de Curitiba, o viaduto terá a implantação de “ciclovia compartilhada” nas duas laterais para o trânsito seguro de ciclistas e pedestres. A Avenida Francisco H. dos Santos, entretanto, não tem vias para circulação de ciclistas. Nem mesmo as chamadas “ciclovias compartilhadas”. Os engenheiros do Ippuc já deveriam ter aprendido que infraestrutura cicloviária só faz sentido se e quando conectadas em rede.
Se optasse pela eficiência do gasto público, um viaduto comum poderia ser construído no local por apenas R$ 4,22 milhões. Sobraria assim dinheiro suficiente para elevar os investimentos na construção de ciclovias, elevando, em pouco tempo, Curitiba ao mesmo patamar de cidades norte-americanas em termos cicloviários.
Ainda assim, sobrariam R$ 66,2 milhões para compra de mais de 60 novos ônibus biarticulados do tipo “azulão”, frota capaz de transportar 15 mil pessoas de uma só vez, para ficar só na pauta da mobilidade –, ou ainda para investimentos em escolas, creches, postos de saúde e saneamento básico.
Isso prova que nosso subdesenvolvimento tem muito mais a ver com a ineficiência na formulação das políticas públicas de nossos governantes do que necessariamente com a falta de recursos.
Ainda que “moderno e futurista”, como quer nos fazer crer a propaganda oficial, o viaduto, na verdade, não nos conecta ao futuro. Ele é sim uma ponte sem retorno, que nos leva obrigatoriamente a um presente em que fazer política significa entregar obras grandes e caras para agradar empreiteiras financiadoras de campanha.
Comentários:
Concordo em gênero, número e grau! E se nossas políticas públicas estão bem assim, a culpa não é somente dos nossos prefeitos. É também da população que não se manifesta. E como se manifestar no assunto políticas públicas. É simples: mostrar aos vereadores (naquele em quem votou, ou naqueles do seu partido, ou naquele que se dizem representantes do seu bairro) o que pensamos. Como mostrar? Como dizem, uma pessoa só não faz a diferença (nesse caso), mas muitas pessoas fazem mudanças. Ou seja, mostrar através da associação de moradores do seu bairro, da associação de pais da escola do seu filho (filha tb), da paróquia (para os não católicos que seja outro nome) da sua igreja, do seu condomínio, etc. Todos estes organismos da sociedade civil podem, inclusive, encaminhar propostas de projetos para a Câmara de Vereadores. Para tanto, devem haver discussões nestas comunidades. E não só no Facebook!
Mas tudo bem, tem um jeito mais fácil? Sim, tem. Os nossos vereadores. Eles tem mais culpa do que nós e do que os prefeitos, ou o IPPUC. Eles deveriam estar ouvindo as comunidades que representam, e as outras também. E fazer valer o seu trabalho de legisladores, incluindo aqui as políticas públicas.
Como as comunidades (grandessíssima maioria) não discutem assuntos de política. Como os vereadores não nos representam nas muitas demandas que a população, pois não as vê sendo atendidas e depende das promessas dos prefeitos (muitas vezes não cumpridas, como na aplicação dos recursos do orçamento para mobilidade para as bicicletas). Então não precisamos de vereadores, pelo menos não em tempo integral. Que eles sejam convocados para legislar e fiscalizar quando necessário. E no mais, usemos o plebiscito (pela internet) para os cidadãos curitibanos decidirem suas vontades, como sugerido pelo Alexandre.
Melhor ainda se este conceito fosse ampliado. É o que chamamos de Democracia Direta.

Revitalização de parques e praças

Parece que é mais difícil manter os parques e praças bem cuidados, como se espera de uma cidade considerada de primeiro mundo (e agora premiada como a terceira mais "esperta" do mundo). Por quê? Pode ser fácil desvendar esta dúvida. Revitalização dá notícia, placa e propaganda, tanto para prefeito, administradores, quanto para vereadores e representantes de comunidades, muitos destes de olho nos cargos daqueles. Manter tudo em ordem, limpo, livre de arruaceiros talvez não apareça tanto, "seria apenas uma obrigação" do poder público.

Mudanças no trânsito na Praça do Carmo

Trânsito ideal é trânsito sem carro, e bom é sem motorista mal educado. Eu gostei das mudanças no contorno da Praça do Carmo, e penso que os motoristas devem evitar vir pela Mal. Floriano, e vir pela Ten. Ferreira, pois agora o gargalo fica por ali. Ainda falta sinalização, mas parece que a URBS nunca planeja bem as mudanças, a sinalização e orientação com agentes sempre demora. Quanto a velocidade dos motoristas pela Ten. Ferreira o problema é o mesmo de sempre, educação, respeito aos outros (pedestres e motoristas), ou seja, egoísmo puro. Os motoristas ainda têm que aprender que usar caminhos alternativos ajuda a todos. É o que está acontecendo agora com os cruzamentos da Des. Antonio de Paula próximos à Mal. Floriano, e vai piorar quando esta for revitalizada.