Castells quer tecer alternativas

Às vésperas de lançar novo livro, sociólogo aposta numa articulação entre internet e praças reocupadas, pode reinventar democracia e sociedades

Entrevista a Francisco Guaita, da RT-TV | Transcrição e tradução: Daniela Frabasile

Do OUTRAPALAVRAS

Manuel Castells parece mais disposto do que nunca a derivar, de suas teorias, saídas políticas. Nas próximas semanas, lançará a primeira edição, em castelhano, de “Redes de Indignação e Esperança”, seu novo livro. O autor de obras como a trilogia “A Era da Informação”, que ajudaram a decifrar tendências de longo prazo da sociedade e da democracia contemporâneas, está convencido de que é preciso intervir rápido, andes que elas se percam.

Observador atento e colaborador ativo dos “indignados” espanhóis, este sociólogo de projeção internacional costuma frisar que a mudança de mentalidades, desejada pelo movimento, requer tempo. Mas será possível esperar?

Castells também tem observado que a velha democracia fechou-se sobre si mesma, devido a dois fatores principais. Uma pequena oligarquia, ligada às finanças, enriquece graças ao Estado. São os aplicadores em títulos públicos, cujos rendimentos biliónários já não estão diretamente ligados à produção: dependem de governantes dispostos a manter juros elevados; a livrar os bancos de controle; a reprimir despesas estatais voltadas a outras classes sociais – como a manutenção dos serviços públicos, aposentadorias e programas redistributivos.

E esta oligarquia, que tem fartos recursos para patrocinar campanhas eleitorais, abastecer a mídia tradicional e produzir intensa ação de “lobby”, associa-se, na maior parte dos países, a uma classe de “políticos profissionais” que tende ao autismo. Preocupados em conservar seu poder, rechaçam as múltiplas chances de democracia que as novas tecnologias viabilizam. Recorrem com frequência à violência policial. Ameaçam permanentemente a própria liberdade na internet.

É na rede, como se sabe, que Castells vê, há muito, a esperança. Aqui, os cidadãos estão multiplicando as formas de produzir colaborativamente, trocar sem tornar-se dependentes de dinheiro, estabelecer redes de informação recíproca. Esta imensa rede de novas relações democráticas e participativas só não se estendeu às instituições porque tal transposição não interessa nem à oligarquia financeira, nem aos políticos profissionais.

Castells não se arrisca a prever o desfecho deste confronto latente. Sabe que há riscos: se o sistema se mantiver hermético, os movimentos “radicalizarão inevitavelmente” – e isso talvez incluia violência, o que pode fazer o jogo das classes dominantes.

Contra este e outros riscos, Castells aposta no próprio movimento – e numa nova virada possível. Graças à indignação, diz ele, as sociedades começaram a superar o medo que as mantinha inertes. Agora, para que não gere apenas raiva, esta indignação precisa converter-se em esperanças e em alternativas. É este desafio que o professor catalão – expulso da Espanha pelo franquismo e da França por ser considerado articulador dos movimentos de 1968 – parece estar disposto a encarar.

Leia no OUTRAPALAVRAS, a edição da entrevista que ele concedeu, em 17 de julho, à rede de TV internacional da Rússia RT. (A.M.)

Ziraldo: “Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas”

Uma breve conversa de 15 minutos com Ziraldo na Bienal Internacional do Livro de São Paulo acaba passando por temas como literatura, colonização brasileira, marketing, UFC, novas tecnologias, casos de família e até mesmo um pouco sobre os seus lançamentos na feira.

Aos 80 anos e em sua 16ª Bienal, o pai do Menino Maluquinho não cessa de enfatizar a importância de feiras literárias e do próprio livro para enfrentar o que ele considera em “emburrecimento” endêmico da sociedade.

“A família brasileira não lê. Nós temos a internet que pode ser a fonte da vida e do conhecimento, mas o computador é usado como brinquedo. Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas”, disse Ziraldo ao UOL. “Bote um livro na mão do seu filho e ensine o domínio da leitura. Se ele não dominar isso, só vai dar certo se souber jogar futebol ou dar porrada muito bem para entrar nesse UFC”.

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a internet das coisas, 1: spimes

e se todos os objetos ao nosso redor fossem [também] sistemas de informação capazes de saber [e dizer] onde estão, o que podem [ou devem] fazer dentro de seu contexto, da situação particular onde se encontram? e se, além disso, gravassem tudo o que fazem [ou é feito com eles] e ainda pudessem dizer [pra rede] o que foi que rolou [de seu ponto de vista] em função das ações realizadas por [ou com] eles, num certo lugar, tempo e contexto? e se, para cada objeto, valesse o princípio SFO [search, find, obtain] dos engenhos de busca? tudo, no mundo, seria buscável, encontrável e, se você tivesse os meios para tal, poderia obter, literalmente, qualquer coisa. no topo disso, e se cada uma destas coisas fosse unicamente identificada, e identificável sob demanda [pelo menos por quem –ou o que– tivesse tal direito]?…

a estas coisas, capazes de “tudo” isso, bruce sterling deu o nome de spimes. shaping things, escrito por sterling em 2005, é uma espécie de manifesto da web das coisas, um ponto de partida para um universo informacional que vai desembocar em um planeta –algum dia- completamente informatizado.

informatizado quer dizer completamente imerso em informática e informática, neste contexto, deve ser entendida como o espaço tridimensional determinado pelas capacidades de computação, comunicação e controle de [ou sobre] objetos e sistemas. spimes são coisas que processam informação, se comunicam com outros objetos e com o ambiente e controlam ou são controladas por dispositivos em seu ambiente. ou, por outro lado, são controladas pelo ambiente e podem, também, definir o que o ambiente é e controla.

nesta web das coisas, uma coisa na web é algo parecido com um spime, um objeto abstrato ou concreto, imerso em um espaço 3D que convencionamos chamar de informática. um spime, de certa forma, é um espacinho, com certas propriedades, dentro do grande universo da informática.

spimedrawing_silvio

no espaço da informática, acima [que vez por outra eu chamo de C3] os nomes próprios associados a cada eixo são os dos cientistas mais marcantes [na minha opinião] em sua definição: turing é alan, que está por trás dos conceitos fundamentais de máquinas computacionais que usamos até hoje; shannon é claude, na prática o criador da teoria da comunicação e da noção de “bit” que temos hoje; e wiener é norbert, criador da cibernética, o campo multidisciplinar que estuda a estrutura e a dinâmica de sistemas que, de uma ou outra forma, controlam ou são controlados por outros. pra mim, simplesmente, controle. os “+” à frente de cada um dos nomes são necessários porque nenhum deles, claro, criou a base de cada eixo do zero nem, tampouco, o trabalho de cada um encerrou a fundamentação e evolução de cada paradigma.

tempos atrás, warren ellis fez um desenho, mostrado na figura abaixo, do que se poderia imaginar associado a um spime. trata-se de um spime meme map, onde se nota que desde o conceito e especificações de projeto das coisas até sua reciclagem, um fluxo de “bits”, à direita da imagem, acompanha e corresponde a um fluxo de “átomos” [o objeto real ou suas partes] à esquerda. se spimes fossem, ou vierem a ser realidade para todos os objetos [concretos, de átomos] seria possível identificar cada garrafa PET descartada na natureza e quem foi a última pessoa ou instituição que a detinha antes disso acontecer. imagine as consequências.

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agora pense, olhando pro desenho abaixo, vindo deste link: se spimes podem tudo isso, porque não poderiam também se expressar de forma autônoma e, de uma prateleira de supermercado, se autoanunciar, pelo menos se você, ou os canais que conduzem a você, estivessem abertos para tal? imagine o barulho… mas ao mesmo tempo note que tudo o que está descrito no meme map acima e no cenário abaixo é possível hoje; todas as tecnologias e sistemas já estão aí e poderiam estar sendo usadas agora. claro que as coisas não estariam conversando com você, mas possivelmente com seu celular. por que não estão?…

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sterling sabe imaginar futuros e, como tal, sabe que nem sempre os futuros acontecem na velocidade que os imaginamos; ano passado, meia década depois de “ver” spimes em todo canto, ele deu uma palestra de 20 minutos na lift’09, onde faz uma avaliação crítica de como anda o estado do spimeworld em nossos dias.

no mundo de spimeware, algumas coisas estão andando, rápido; outras deram pra trás e outras ainda nem começaram a aparecer. sterling, como todos nós, não está imune a lei de amara, segundo a qual tendemos a superstimar os efeitos das tecnologias no curto prazo e a subestimá-los no longo prazo. clique na imagem abaixo e veja sterling falando sobre seus spimes; amanhã, neste mesmo canal, volte aqui pra gente conversar sobre a internet das coisas, parte 2. este vai ser nosso assunto durante toda esta semana.

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basicr – O buscador que cria um portal usando uma palavra

basicr – O buscador que cria um portal usando uma palavra

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Por Juan Diego Polo – 02/05/2010 – (2)

Basicr busca notícias, documentos, imagens e vídeos sobre qualquer palavra que lhe indiquemos, criando uma página com toda a informação distribuída e atualizada automaticamente.

Ao ver o resultado parece que estamos na frente de um gerador de portais monotemáticos, ainda que para chegar a esta categoria precise usar muitas mais fontes de informação para ter opiniões mais democráticas sobre os assuntos buscados.

Na realidade o conteúdo não é o que chama a atenção e sim a forma de apresentá-lo, uma forma muito diferente ao que fazem outros buscadores modernos.

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Comentários (2)

  1. pooldigitalmaio 2, 2010#webapp : basicr – O buscador que cria um portal usando uma palavra http://bit.ly/cdtJcs

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  2. pedeleaomaio 2, 2010basicr – O buscador que cria um portal usando uma palavra:
    Basicr busca notícias, documentos, imagens e vídeos so… http://bit.ly/ckRJf8

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