Universidade da ONU e PNUMA lançam novo índice de sustentabilidade – Índice de Riqueza Inclusiva (IRI)

A Universidade da ONU (UNU) e o PNUMA lançaram neste domingo, 17/06, na Rio+20. O indicador foi divulgado no Relatório de Riqueza Inclusiva 2012 (IWR na sigla em inglês). O novo índice não utiliza a renda e o consumo como no PIB e também não utiliza a qualidade de vida como no IDH. Usa o conceito de riqueza (riqueza inclusiva, suponho que por que inclui o natural e o humano). A riqueza é definido pelos três tipos de capital: manufaturado, natural e humano. O capital manufaturado é definido como sendo de infraestrutura, bens e investimentos. O capital natural inclui combustíveis fósseis, minérios, florestas, pesca e terras agrícolas. O capital humano inclui educação e competências. O relatório divulgado de 2012 divulgado hoje observou as mudanças na riqueza inclusiva em 20 países, que juntos representam quase três quartos do PIB mundial, de 1990 a 2008.

Durante o período avaliado, dos 20 países apenas o Japão não apresentou diminuição do capital natural, segundo o relatório devido a um aumento da cobertura florestal. China, Estados Unidos, Brasil e África do Sul, que tiveram crescimento do PIB entre 1990 e 2008 respectivamente de 422%, 37%, 31% e 24%. No entanto, no IRI seu desempenho foi bem diferente, China, Brasil e Estados Unidos aumentaram 45%, 18% e 13%. E África do Sul teve um decréscimo de 1%. O relatório observa ainda que o índice se concentra na sustentabilidade das bases de recursos atuais, e não nas dos séculos 19 ou 20. Quando a maioria das nações desenvolvidas esgotou os seus recursos naturais. O relatório comenta que o crescimento populacional elevado, como é o caso Índia, Nigéria e Arábia Saudita, haverá uma tendência negativa do índice, pois as riquezas não estão aumentando na mesma proporção, principalmente as naturais. “O IRI faz parte de uma gama de substitutos potenciais que líderes mundiais podem levar em conta como forma de dar mais precisão à avaliação da geração de riqueza para concretizar o desenvolvimento sustentável e erradicar a pobreza”,  afirma  o subsecretário geral e diretor executivo do PNUMA, Achim Steiner.

“O IWR representa o primeiro passo fundamental na mudança do paradigma econômico global forçando-nos a reavaliar nossas necessidades e objetivos como sociedade” disse o Professor Anantha Duraiappah, diretor do relatório IWR e diretor executivo do UNU-IHDP. “Oferece uma estrutura rigorosa de diálogo com várias bases eleitorais que representam os campos ambientais, sociais e econômicos”

Enquanto 19 dos 20 países sofreram declínio no capital natural, seis também observaram declínio na sua riqueza inclusiva, colocando-os em uma faixa insustentável: Rússia, Venezuela, Arábia Saudita, Colômbia, África do Sul e Nigéria foram os países que não conseguiram crescer. Os outros 70% dos países mostram crescimento do IRI per capita, indicando sustentabilidade. O alto crescimento populacional em relação ao crescimento do IRI criou condições insustentáveis em cinco dos seis países mencionados acima. Apenas França, Alemanha, Japão, Noruega, Reino Unido e Estados Unidos têm uma maior participação do capital manufaturado em relação ao capital natura. Ou seja, para a maior parte do mundo o capital natural tem grande importância. O capital humano tem aumentado em todos os países e é a forma de capital eleita para compensar a diminuição do capital natural na maioria das economias

 

Meus comentários iniciais (sem ler o relatório):

1) o IRI pode indicar, mais corretamente do que o PIB, que há um limite para o crescimento populacional numa nação, se não há riqueza disponível (natural) ou sendo gerada (manufaturada e humana)

2) Ainda podem haver compensações entre o aumento no capital manufaturado e a redução no capital natural. Para evitar isso, o capital natural teria que ser separado e global, e não por países. E não entrar nessa conta a o valor financeio dos recursos naturais, como o petróleo. E o IRI incluir somente capital manufaturado e humano. Sobre esta compensação, o relatório indica que “embora uma redução do capital natural possa ser compensada pelo acúmulo de capital manufaturado e humano, que são reproduzíveis, muitos recursos naturais, como petróleo e minérios, não podem ser substituídos.” Não penso que seja suficiente.

3) Aumentar o capital humano, ou manufaturado, para a compensar a diminuição do capital natural, não vai resolver o nosso problema.

Conclusão: o novo índice é importante por que traz algo concreto para ser discutido e utilizado, em substituição ou complemento ao PIB e IDH. Mas também não resolve o nosso problema para definir metas quantitativas do que fazer ou não fazer. Mas pode ser utilizado em conjunto com o IDH, para medir principalmente a pobreza (mais especificamente, falta de educação, moradia, saúde e alimentação).