Produção e consumo sustentáveis foi tema de painel do Min. do Meio Ambiente

O Ministério do Meio Ambiente organizou um painel sobre produção e consumo sustentáveis, visando a Rio+20. A reportagem é Clarissa Vasconcelos, do Jornal da Ciência.

Participaram do painel, mediado pela secretária para Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA, Samyra Crespo; o economista Paul Singer, Secretário de Economia Solidária do Ministério do Trabalho; Sylvie Lemmet, diretora da divisão de Tecnologia, Indústria e Economia do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (DTIE/Pnuma), uma das responsáveis pelo Processo de Marrakesh, base do ‘Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis do Brasil’; o diretor presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, Hélio Mattar; e Jeffrey Barber, do Global Research Forum – Sustainable Consumption and Production.

Paul Singer alertou para o fato de o mundo contemporâneo viver uma “competição constante”, onde o “consumo está relacionado ao êxito”, tendo uma relação direta com a avidez por comprar “a última novidade”, invariavelmente mais cara. “A racionalidade do consumidor é aproveitada para condicionar seu comportamento. E a publicidade tem um papel enorme nisso”, lembra. O economista destaca que a economia solidária, um caminho afinado com as ideias que serão discutidas na Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio +20, “não surgiu de uma necessidade ambiental”, já que funcionava em cooperativas criadas na Inglaterra e França no século XIX. “A economia solidária não conhece valor de troca, não conhece lucro, não há desigualdade nela”, ressalta.

Hélio Mattar ressaltou que o papel regulamentador do Governo é “necessário”, mas que é importante também convocar a sociedade, empresas e iniciativas voluntárias para discutir como tornar a produção e o consumo sustentáveis. “Há que valorizar o meio copo cheio e não denunciar o meio copo vazio. Toda vez que se faz uma mudança de cultura acontece isso”, pontua, lembrando que 16% da população mundial são responsáveis por 78% do consumo internacional. Ele pondera que a tão difundida responsabilidade social tem o efeito colateral de “aplacar a consciência” de consumidores e produtores, que podem achar que “não precisam fazer mais nada” e deu como exemplo pessoas que pensam que fazem sua parte apenas separando o lixo reciclável e, por outro lado, continuam consumindo em excesso.

Mattar propõe medidas como o ensino na educação primária de atitudes que promovam a conscientização sobre sustentabilidade e a produção de bens duráveis, algo que vai de encontro ao ritmo industrial atual, afirmando que será necessário mudar o foco da estrutura de consumo, menos centrada na produção industrial, apontando para o setor de serviços. Isso estimularia o “consumo coletivo” em vez do consumo individual. Um exemplo seria a tendência de usar mais transportes públicos no lugar do carro. “O mundo sustentável é melhor. Não é um mundo de sacrifício, sairemos do excesso para a suficiência. Vamos trabalhar menos e consumiremos para o bem-estar e não só por consumir”, conclui.

Durante o painel, foi assinada a ‘Carta de Intenções de Adesão ao Pacto de Desenvolvimento Sustentável’ por dirigentes de organizações como Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), Embraer e Sinduscon.

As instituições se comprometeram a desenvolver programas de ação que envolverão um uso melhor da água e energia, reciclagem, construções inteligentes, entre outros indicadores. “Em 1992, o setor privado não tinha esse engajamento. Este ano há um movimento maciço sobre o papel do setor produtivo em torno dessa agenda”, compara Izabella.
Comentário:
Para a produção ser sustentável há que se mudar o padrão de consumo. Há que se mudar os hábitos do consumidor. E também os da publicidade. Felizmente cada vez mais consumidores enxergam isso. E mais pessoas formadoras de opinião mostram isso. E mais empresas querem produzir para estes novos consumidores, com uma nova publicidade e novas mídias. Mas ainda há uma grande parcela da população mundial – China, India, Brasil, por exemplo, que ainda não alcançou o nível de consumo e bem estar dos países com maior consumo, e quer isso. Aí há um problema, pois como se está caminhando, o problema dos países com maior consumo está sendo deslocado para aqueles. E para se resolver este problema terá que haver uma ruptura no modelo atual de produção e consumo. Esta ruptura tem que ser em grandes proporções, mas pode começar pequena. Mas não parece haver sinais de que essa ruptura esteja próxima, embora rupturas não possam ser vistas com muita antecedência! E como seria essa ruptura? Pela colaboração. A atividade econômica colaborativa e não competitiva, como disse Paul Singer, e como prega a economia solidária. O ser humano não é competitivo por natureza, ao contrário do que se prega (voltarei a isso em breve).

Fundação Araucária dobra recursos para projetos de pesquisa no Paraná

A Fundação Araucária lança até o final deste ano 29 editais para investir R$ 76,8 milhões em projetos de produção e disseminação científica e tecnológica no Estado. O valor equivale a quase o dobro do destinado para a área no ano passado.  Daquele valor total dos editais, R$ 24 milhões virão da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o que significa a retomada da parceria com a instituição, interrompida desde 2005. A Capes tem um plano de investimentos para o Paraná que soma R$ 48,5 milhões, para aplicação em cinco anos. A contrapartida da Fundação Araucária é de R$ 25 milhões, somando R$ 73,5 milhões para trabalhos especialmente dirigidos ao fortalecimento das atividades de pós-graduação; pós-doutorado, mobilidade profissional, pós-graduação em conjunto com outras universidades e compra de equipamentos para laboratórios. Os recursos para investimento em programas de pesquisa e inovação vêm crescendo desde o início deste governo. Em 2010, por exemplo, foram feitos 14 editais para destinar R$ 24 milhões para o setor; no ano seguinte o montante subiu para R$ 39 milhões em 16 editais e, neste ano, o valor foi praticamente dobrado.  O presidente da fundação, Paulo Roberto Brofman, credita o crescimento dos recursos ao aumento no número de parcerias. Como aconteceu com a Capes, a Fundação Araucária recuperou outras parcerias importantes em Brasília, entre elas o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A Fundação Araucária também mantém parcerias com a Fundação O Boticário e com o Parque Tecnológico Itaipu, e está negociando com a Sanepar, Copel e Fiocruz. Na avaliação do secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alípio Leal, a parceria assinada com a Capes na última semana vai colocar a Fundação Araucária entre as cinco maiores do País. Em busca de boas ideias para atender a sociedade paranaense, a Fundação Araucária tem o apoio do Senai para atrair empresas para os projetos de ciência e tecnologia. Neste caso, o pesquisador tanto pode trabalhar em projeto próprio dentro de uma empresa, como pode desenvolver produto ou processo a pedido da própria empresa.

Fonte: Agência de Notícias do Paraná http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=69369